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Publicado Quar, 14 de Março de 2018 Imprimir
Cemei Manoel Caribé Filho - Por Benedito Said

Benedito Said

ATRASO- O Cemei Manoel Caribé Filho, da Rede Municipal de Ensino, sempre funcionou em prédio cedido no Bairro São Judas. Isso há mais de dez anos. Bem mais. Na verdade, a casa que abriga a escola foi adaptada para fins educacionais. Noutras administrações isso soou como normal. Não havia pagamento de aluguel, muito menos compromisso com documentação que garantisse posse do imóvel. No ano passado, um senhor ganhou na Justiça o direito de posse e pediu que a prefeitura assumisse o prédio, desde que ele recebesse terreno de igual valor. Isso estava em curso, mas o senhor faleceu há vinte dias, mais ou menos, e a família resolveu disputar a posse. Ninguém sabe (a não ser a polícia e a justiça) de onde veio o tiroteio contra a escola, que, obrigada, interrompeu as aulas. A população se intimidou de vez e a violência, até com ingredientes de tráfico de drogas, venceu. A escola tradicional terá que se mudar e arranjar locação sem conflito. Até segunda-feira ela estará em novo endereço.

FORTE- A Secretaria Municipal de Educação tentou resistir, manter a escola em funcionamento, não permitindo que a violência imperasse. Mas a população, com medo, e nisso não se pode tirar a razão do povo sofrido, não abraçou a causa. Pesou o interesse econômico, o interesse que envolve posse da área, disputa familiar, desvalorização do futuro. Hoje é muito comum o denuncismo, mas nada de abraçar causas coletivas, além do mais isso exige trabalho, discussão, participação, sair da zona de conforto. Da mesma forma a imprensa local trata essas questões, sem profundidade. Todos os jornalistas que inquiriram sobre o fechamento da escola perguntaram sobre a data de volta às aulas. Ninguém perguntou sobre as causas, sobre o desmanche da sociedade, decadência de valores altruísticos, força de todos em favor da educação como fórmula mágica para deter até mesmo a violência. E foram várias a reuniões para tentar abraçar a escola como esteio de ações libertadoras. O discurso é muito bom quando dele não se exige prática.

FACA- Recentemente, uma menina de nove anos entrou em escola municipal na Vila Atlântida com uma faca. Queria se vingar uma desafeta em luta por namorado. São os tempos. Um repórter ligou perguntou sobre a posição da Secretaria de Educação sobre o incidente e quais providências estavam sendo tomadas. Pobre escola. A resposta foi a de que na escola não se fabrica faca. Com certeza, a faca veio da casa da criança envolvida e seria bom perguntar à família como é que ela conduz essas questões de violência, transgressão, responsabilidades e limites. Coitada da escola que tem que assumir o ônus da falta de comportamentos éticos a partir do berço familiar. Essa superficialidade é comum nos tempos atuais, em que a análise para o futuro é tão frágil como mensagem via rede social, cuja característica volátil ajuda na falta de percepção de projeção do dia de amanhã.

RAÇA- Stephen Hawking morreu na madrugada de quarta-feira (12/3) aos 76 anos em casa, na Inglaterra. A morte foi comunicada à imprensa britânica pela própria família do pesquisador, que ganhou fama ao formular a teoria da singularidade do espaço-tempo, aplicando a lógica dos buracos negros a todo o universo.

HERANÇA- A filha Stephen, Lucy, diz que, quando ela era criança, os amigos cientistas do pai costumavam jantar na casa da família "praticamente toda a noite". "Eles discutiam assuntos extraordinários; nenhum ficava de fora", recorda. "Quando criança, você podia fazer qualquer pergunta e recebia uma resposta", acrescenta. Lucy se lembra dos momentos em que ela e o irmão mais velho corriam ao lado do pai com sorvetes, enquanto ele "dirigia sua cadeira de rodas motorizada por toda Cambridge (cidade da Inglaterra)". "Acho que provocava horror, espanto e choque. Como um deficiente físico estava na rua sozinho? O que aquelas crianças estavam fazendo", recorda. "As pessoas ficavam espantadas. Ficavam nos olhando. Não podiam processar aquilo direito", acrescenta. Segundo Lucy, o pai serve de inspiração a muita gente.

GUERRA- “Pessoas que viveram em zonas de guerra ou em circunstâncias extremas parecem ver algo de muito inspirador no exemplo de perseverança e persistência, em sua habilidade de se sobrepor ao sofrimento e ainda querer falar com humor sobre temas profundos com o resto do mundo." Stephen Hawking se tornou um símbolo de determinação por ser portador da Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) e ter sobrevivido a essa doença degenerativa por décadas.

TEMPO-Quando Stephen Hawking se aposentou, em outubro de 2009, a comoção tomou conta do mundo. Um cientista cuja carreira parecia condenada ao fim antes mesmo de começar não só cumpriu 30 anos de serviços prestados numa das mais prestigiosas vagas da Universidade de Cambridge como contribuiu com muitas das ideias que ajudam a definir o Universo tal como é compreendido hoje.

LONGE- E nós aqui interrompendo aula e mudando escola de lugar devido à violência, à omissão do povo e da falta de valorização da educação como símbolo de transformação social.  

Benedito Said é o atual Secretário de Educação do Município de Montes Claros

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